| |
 
São Paulo - Brasil
 Ei, assine meu livro de visitas!

Terra Santa
Blog do Mirandsa Sá
flickr
Orkut

# 2006!
+ dez
+ nov
+ out
+ set
+ ago
+ jul
+ JUN
+ mai
+ Abr
+ mAr
+ FEV
+ jan
# 2005!
+ deZ
+ nOv
+ ouT
+ seT
+ ago
+ JUl
+ JuN
+ mai
+ aBR
+ MAR
+ fev
+ JAn
# 2004
+ dEZ
+ nOv
+ OuT
+ seT.
+ AgO.
+ JuL.
+ JuN.
+ MaI.
+ AbR.
+ MaR.
+ FeV.
# 2003
+ DeZ.
+ NoV.
+ OuT.
+ SeT.
+ AgO.
+ JuL.
+ JuN.
+ MaI.
+ AbR.
+ MaR.
+ FeV.
+ JaN.
# 2002
+ DeZ.
+ NoV.
+ OuT.
+ SeT.
+ AgO.
+ JuL.
# Fase Racional
|
|
|
20030928
|
|
Brisa noturna
Pego meu carro e vou dar umas voltas pela cidade numa noite agradável como essa. Em pouco tempo estou na Paulista sentindo o vento bater no meu cotovelo esquerdo, não faz frio e àquela sensação dava vontade de ir mais devagar. Olho as meninas que passam empinadas nos ônibus e imagino a cor da renda do seu sutiam, sou como todos os moços dessa cidade.
Desço a Augusta e vejo na puta que cola na minha porta o convite para uma noite de amor inventado. Amorzinho - como ela me chama - ia me fazer bem. Penso que ia ser bom acordar ao lado daquela menina bonita que nem a maquiágem vagabunda conseguiu esconder. Olhava para ela em seu casaco de pele sintética me mostrando seu torneado par de coxas. Vou embora puto de raiva por estar sem o dinheiro que ela me cobraria para me dar o amor que só dão as meninas dessa cidade.
Sigo olhando para aquele universo paralelo, totalmente kitsch e reconheço em cada rosto desgastado pela noite a cara dos pais-de-família que dividem o sereno para defender o leite dos seus. Sigo tentando achar um motivo para me resignar assim como se resignam os moradores dessa cidade.
Subo a Brigadeiro vejo a atendente de farmácia entendiada em seu balcão. Desvio o olhar em busca de alguma mais interessante, mas só há bêbados em bares e vagabundos dormindo em baixo da marquise. Acelero com pressa para fugir daquele pedaço de cidade decadente, assim como fogem os transeuntes dessa cidade.
Estou de novo a caminho da Dr. Arnaldo, passo em baixo da cidade que guarda bonitos grafites feitos por artistas da periferias. Bandidos latentes que morrerão de tiro de polícia como sempre morrem todos os bandido dessa cidade.
Por onde andarão as mulheres dessa cidade?
Na Marginal vejo uma cidade cortada ao meio por um rio de águas mortas e deixo a vista se confundir com os faróis na contra-mão. Acelero meu carro e corro, como fazem os motoristas dessa cidade.
No suposto fim da avenida, busco ansioso por um retorno. Lembro do pedaço de pizza que sobrou de ontem e me dá vontade de voltar para casa. Me distraio no caminho de volta com os aviões cortando o meu para-brisa. Finjo achar normal como fingem todas as pessoas dessa cidade.
Hora de dormir, penso no dia de amanhã e me dá uma vontade que a noite dure mais. Me esqueci de passar a camisa. Preciso lavar as minhas roupas... Como é dura a vida dos que trabalham nessa cidade
Inventado por: Henrique Neto às 22:03 | Link |
|
|