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HOMENS E PÁSSAROS
Por:Ana Cristina Tinôco
Cronista do Diário de Natal
O vento sopra ondeando a folhagem das árvores. Pássaros estridentes rasgam o silêncio da manhã. Não zoam por eles. Parecem pressentir a dor que cresce encarcerada dentro do peito. Pássaros são interpretes. Traduzem a beleza da manhã em seus cânticos melodiosos e a tristeza dos homens em seus sons lúgubres. Não carregam dor. Se assim fizessem não voariam.
Precisam de leveza, alegria para poder voar, e só a felicidade faz voar, planar, levitar. A dor e a tristeza pesam. São fardos que curvam os ombros, aprofundam as marcas do tempo, descolorem os cabelos. Pássaros sabem disto portanto não se permitem à dor e à tristeza. Se as pressentem, exorcizam-nas com seus piados desarmônicos, que nem chegam a ser cantos, apenas lamentos.
Pássaros são diferentes dos homens. São superiores. Não amam pequeno. Amam suas companheiras e crias pela necessidade de perpetuarem a espécie. Depois da missão cumprida, amam maior. Amam a natureza e glorificam o Criador com seus cânticos de exaltação. Não sofrem nem se despenam pelos amores do coração. Não carregam mágoas pois seu grande amor não é exclusivista. É do tamanho do seu mundo. Do alcance dos seus sentidos.
Homens precisam aprender com pássaros. Precisam emanciparem-se de seus amores pequenos, egoístas e limitados. Amores ilusórios, sazonais que quando passam, como os rios, deixam os solos secos, porém férteis; deixam o peito lavrado e semeado, pronto para fazer brotar a percepção de necessidade de substituirmos o amor individual tão restrito e insatisfatório, pelo amor universal, o verdadeiro e único.
Inventado por: Henrique Neto às 19:53 | Link |
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