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. Gorçoniere
Eu disse para você deixar de lado essa coisa de amor eterno e todos estes sentimentos que agitam a alma, mas você, metódica, me perguntou o que fazer dos seus hormônios. Eu sinceramente não sei te dizer. Talvez tentasse escapar dando conselhos genéricos para você ter mais cuidado com o coração.
Você me contou que tem trabalhado demais e isso te angustia. Que quase não tem tempo para ficar em casa com as crianças e isso de certa forma te faz sentir culpada. Eu te ouvi atento, pensei em todo esse tempo perdido e não achei nada de útil para dizer.
Tenho estado assim por esses dias. Cheio de silêncios expressivos, pausas ensaiadas e meias intenções abandonadas. Sou um conceito complexo e inexplicável e imagino que os outros também o sejam. Ajo em síncopes, me farto de boas intenções nulas e resignações comiseradas.
Já naquela tarde em sua casa, pude ver que - ao seu modo - a felicidade lhe encontrou, mesmo quando você insiste em espantá-la. Mesmo quando você se esconde fingindo ser má e cruel, com medo de mostrar esse coração infinitamente grande de tão generoso.
Eu é quem sigo nesse caminho errante e tortuoso cheio de atalhos precipitados, vielas transversais e poucas estradas. Mas me mantenho firme por ser consciente e questionando sempre, pois não dá para confiar em nenhum sujeito com mais de vinte e seis.
Gosto, contudo, do seu jeito econômico de não emitir opiniões quando não se pede, não dar conselhos mesmo quando necessário e fazer vistas grossas para os meus mini-pedidos de ajuda. Isso te deixa mais sofisticada e chique. Se bem que não há graus de quão chique alguém possa ser, mas no seu caso, entendo que se trata de uma esfera muito elevada de finesse.
Eu não tinha reparado como você fica bem nesse vestido.
Sexta à noite eu tô de volta.
Vou deixar o dinheiro do seu cabeleireiro em cima da tv.
Inventado por: Henrique Neto às 18:46 | Link |
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