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Manga tirada do pé e o futuro
Não sei se acontece com você assim também, mas sempre que ouço falar de modernidade, futuro e outros quetais, a coisa se perde em elucubrações vagas e muitas vezes caricatas sobre esse tal futuro modernoso. Explico-me: há quinzes anos celular era uma realidade muito distante, apesar de eu já ter ouvido falar dele e do que era capaz, ainda assim ele era só uma idéia etérea. O mesmo aconteceu com o DVD e etc. Só depois de me tornar um usuário (entendeu?) é que me dei conta do que de fato essas coisas significavam.
Sou usuário da Internet desde a época em que ela era movida a vapor. Em 1998 - ano da bolha do e-qualquer coisa.com - todos diziam bravatas sobre a vida on line, do quanto se ganharia de dinheiro com a rede, que as empresas pontocom valeriam mais que as empresas de tijolo e blá, blá, blá. Hoje, passada a poeira da empolgação, o que vemos é a consolidação de um meio que até pode ser rentável, mas não necessariamente o é (vide as milhares de empresas que apareceram do nada e assim também sumiram) e as empresas nascidas na era da Internet tiveram de se ajustar a uma realidade diferente do mundo corporativo "tradicional" para também serem lucrativas.
Aqui no Dia% Brasil, concluímos hoje o projeto de um leilão eletrônico realizado na web. Só que até chegarmos diante de uma tela de computador e visualizar o gráfico com os lances dados pelos fornecedores, foram consumidos três meses entre desenvolver, implementar o projeto, negociar as regras com os fornecedores e treiná-los para o e-leilão propriamente dito.
O e-leilão durou pouco mais de uma hora, mas devo admitir que esses foram meus sessenta minutos de maior aflição desde que eu entrei aqui na companhia. Sim, aflição. Apesar de a coisa ter sido conduzida com ética profissional, usarmos critérios claros para escolha dos fornecedores e ter muito bem definidas as regras da negociação muito antes dela acontecer, sempre há uma pontinha de sentimento em nós que torce por um candidato em especial. Deve ser o mesmo sentimento que acomete juiz de futebol apitando jogo de seu time preferido.
Mesmo conhecendo todos os mecanismos do sistema, da tecnologia utilizada, a segurança oferecida e tudo mais, ainda assim causou-me uma certa estranheza um leilão onde: os compradores eram na verdade vendedores, o mediador não usava martelo nem estava na mesma sala dos concorrentes e o estímulo para eles darem lances melhores não vinham do concorrente ao lado (eles não se conheciam), mas de ligações telefônicas que fazíamos.
É, o mundo está mesmo diferente desde quando eu comia manga tirada do pé...
Inventado por: Henrique Neto às 18:26 | Link |
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