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. do lado de cá da linha
E quando é que a gente vai se ver de novo nega? Que dia você passa por aqui para me tirar o sossego, me fazer perder a linha e viajar contigo em ideias inusitadas. Sim, só com você eu tenho idéias errantes e soltas como vaca de paisagem e casa de janela fechada.
Daqui a quatro dias são vinte e sete e nem parece que já passou isso tudo. Foi dia desses que eu te vi sambando e magnetizado, perguntei alguma coisa cretina que até fiquei com vergonha de mim, não foi? Sou assim mesmo, tomado dessa espontaneidade dos infernos. Careço de elegância, mas... É uma das formas que encontrei para driblar a timidez.
E você nem bebia, lembra? Hoje disputamos para saber quem agüenta mais ou perde primeiro a noção. Eu tenho ganhado, mas não por muito tempo. Sou fraco até para beber, mas quer saber? Tanto faz. É bom perder às vezes (imagino). É você quem me tira do meu normal, me faz pensar que as coisas são mais leves, me ensinou a comer brócolis e diz que eu tenho sinais em partes inoportunas do corpo. Fiquei pensando nessa coisa das "parte inoportunas do meu corpo". Achei de certa forma lírico.
Precisamos marcar o jantar com a turma, eles ainda não conhecem lá em casa. Sei, sou relapso mesmo, um traste desorganizado, mas também pudera, com você me ocupando todos os pensamentos, lá ia sobrar espaço para datas e fatos? Eu gosto de esquecer a data, acho mais espontâneo e natural. Não fico limitado a lembrar das pessoas que eu gosto somente no dia vinte e três de fevereiro, ou em dezessete de outubro. Me lembro sempre que der vontade. Você não é assim também nega?
Inventado por: Henrique Neto às 17:15 | Link |
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