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. voraz
Me escreveu dia desses fazendo um pedido
dizia em sua carta para eu negar todo amor que houve entre nós
só para acalmar o namorado novo.
Esqueça disso meu bem,
não se apaga o passado usando borracha
e ainda que se tente, o papel carregará consigo (para sempre)
a memória da palavra impressa pela força da mão.
Perguntei se ele a fazia feliz e lhe tratava bem
ela vacilou com uma frase semi-pronta qualquer,
algo como: "a felicidade nunca é completa"
ou coisa parecida.
Me contou da viagem que faria
dos queridos distantes, da palavra deixada no jornal
e dos meninos que não lhe compreendem nunca.
Sorriu disso tudo e disse sentir-se gratificada.
Coisas da vida - pensei.
Quis saber se ainda lembrava de mim
e se, assim como eu, às vezes também chorava de saudades.
Abstraiu com perguntas vagas sobre o tempo,
o noticiário da tv e disse não entender
porquê não mais somos já que estávamos tão bem.
Eu bem que te avisei - precipitada - como me entregaria
mas você veio me deixar completamente fora de órbita
sem entender como me acostumaria
com a ausência da tua pele.
Por que eu decorei cada centímetro do teu corpo, viu!
E ainda agora consigo fechar os olhos e te ver bem aqui
perto do coração voraz.
Inventado por: Henrique Neto às 16:55 | Link |
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