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Galinha Gorda
Agora só faltavam as velas vermelhas. Ia comprar hoje à tarde. "- Aquelazinha ia ver do que era capaz". - Goreth estava cansada de passar vergonha na vizinhança.
Por indicação da prima, foi visitar Elvira, uma velha feiticeira que morava lá pros lados de Arthur Alvim. Contou o que pretendia fazer na vida de Lúcia, e a feiticeira deu a lista de materiais para o trabalho.
Goreth morava naquela casa desde que nasceu. A amizade com Lúcia era desse mesmo tempo. Elas viviam grudadas, freqüentaram a mesma escola, viajavam juntas nas férias e na vizinhança, não havia quem dissesse que aquele chamego um dia acabasse.
Quando começou a namorar Pedro, a primeira a saber foi Lúcia. Goreth lhe participava de tudo, sem pudores. Eram tantas as confidências que o namoro parecia ser a três. Lúcia se apaixonou por Pedro, engatou um namoro paralelo e o trio ficou junto quase um ano.
Cansada da brincadeira, Lúcia resolveu dar um basta. Não queria mais dividir Pedro. Deixou no bolso do rapaz um bilhete denunciando o romance. A amiga viu, fez um fuá e acabou com o namoro e a amizade de uma só vez.
Goreth pensou em suicídio, assassinato, mudança de pais e outros bichos. Se trancou com vergonha da vizinhança, curtiu a depressão e depois resolveu ir às forras. Se Pedro não podia ser seu, de Lúcia também não seria.
Comprou uma galinha gorda, cachaça, miçangas, um Santo Antônio e as sete velas vermelhas, como pediu a feiticeira. Na última lua do mês foi pro terreiro fazer o trabalho e lá, conheceu um rapaz que tocava atabaque e tinha um ar denso.
Empolgada com a nova possibilidade, chamou de canto a dona do terreiro e suspendeu a mandinga. Levou de volta para casa o Santo Antônio e hoje, entre idas ao cinema e passeios no Ibirapuera com seu percussionista, reza aos pés do santo encomendando casamento.
Inventado por: Henrique Neto às 11:09 | Link |
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