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Cheiro
Dizia das incontáveis formas de se divertir. Lembrei do seu riso frouxo, do cheiro que ainda dorme em minha cama, das muitas possibilidades de se sentir saudades (até da própria saudade) e dos amores cultivados no desenrolar da vida. Ela, que agradava sem fazer esforços, agora habita um sonho non sense.
Se eu fumasse, estaria nesse momento sentado na sala de minha casa, gestos firme para pegar um cigarro, isqueiro perdido em algum canto da mesa de centro, olhar a procura de diversões e o pensamento lá em você. Meus pensamentos monotemáticos... Variam de pessoa, lugar e cheiro, mas no final - noves fora o que não conto - são sempre a mesma coisa: você transmutada, os mesmos lugares revisitados e o cheiro do meu olfato tão limitado.
Um homem e suas previsibilidades.
Sonhos para quebrar marasmo lembranças de fatos não vividos saudades de seu sorriso grande flutuando aqui na minha cabeça.
Mais um trago as vias aéreas invadidas o balé suave da fumaça fugindo para o céu seus olhos sobre mim sua boca carnuda me consumindo eu apaixonado me ardendo em brasas e a saudade escrota do que deixamos de viver.
Sonhos para aperrear inquietudes em noites claras.
Apago o cigarro, mando a roupa de cama para lavanderia, boto em marcha os compromissos do dia, dou satisfações a quem compra meu tempo; e entre distrações casuais, sei que ficarão os mesmos pensamentos, a mesma saudade, a vontade incontrolável de ter você do meu lado, e as dissimulações nas respostas de perguntas feitas à queima roupa.
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Preciso aprender a fumar.
Inventado por: Henrique Neto às 11:26 | Link |
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