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Para você
Vejo você andando descalça pela casa e tenho a certeza que gérberas lhe cairiam muito bem. Exatamente as laranjas, daquele ramalhete imenso que não pude lhe comprar (dessa vez, especificamente, porque estava sem grana) apesar da intenção e do agrado que sempre te faço.
Você reclamando de minhas manias a cama te esperando entre comentários inteligentes paredes respirando cautelosas minha caixa de ferramentas que nunca fecha e uns planos de ir conhecer Iguape.
Hoje mais que nunca, darling, eu estive pensando em quantas coisas boas você tem me feito, e que de uma hora para outra, parece não fazer sentido viver sem flores na casa, incensos pastorando nossas intimidades, um gato por testemunha ou a geladeira sortida de comidinhas para as noites de festinhas particulares.
Eu de fato nem sei se você, de fronte ao espelho do banheiro enquanto se maquia, pensa no rumo que as coisas estão tomando. Será que pensa em quanto sou dependente de seu cheiro, de como preciso de teus fluídos e de como meu pau preenche – sem excessos – as partes mais inusitadas de você?
Não sei o que pensaria o som da sala, ou se a mesa de centro gostaria de viver sem os seus esbarrões, suas manhas, ou dos momentos quando procuras o maço de cigarros distraídos e deixa cair coca-cola sobre livros e revistas.
Não sei se a casa se desacostumaria a ordem tacanha que você a submeteu, aos seus horário desregrados para dormir, acordar, dormir de novo e fazer a unha do pé em plena tarde de terça-feira. Talvez ela reclame do seu disco de Mário Veloso, talvez ache bacana seu vestido de florzinhas, ou simplesmente pense que torcer pelo Flamengo não seja assim tão ruim.
São só elucubrações, talvez a dispensa ache você fundamental para seu funcionamento e a geladeira pense que, sem você, a vida dela é vazia, tendo apenas alguns legumes tímidos e laticínios de validade duvidosa.
Inventado por: Henrique Neto às 20:42 | Link |
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