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Everything but flowers
Vi você comprando flores na feira, elas estavam tristinhas.
Banca de flores, você, as ruas cheias de gente e a certeza que ali não há nada de bom para você. Apenas flores. Tristinhas.
Eu sei (ou ao menos desconfio) da sua natural aptidão em apostar no que se sabe – até nas rodas dos aposentados – não ter futuro. Não é para você e você sabe, mas teima, só para dizer aos amigos que há belezas pouco óbvias ali. Será? Aposto que até você se indaga.
Agora nos dias de trabalho ameno consulta cartas num tarot digital, o E-guru lhe avisou para não desperdiçar amores assim, como quem paga flores e as esquece, tristinhas, sobre a banca na feira.
Você sabe, flor alegre, que há possibilidades bem mais maduras te esperando bem aqui, no lado real da vida. Mas ciente de que, em agindo assim faria o que todos anseiam, prefere o escapísmo da insistência ao aborto dessa mentira.
É mentira.
Eu, você e o florista sabemos disso. É fato tal como as gérberas que um dia você me deu. Te lembra delas? Ainda lembra de como ficavam bem em teus cabelos? Duvido que tenhas esquecido!
Mas não me censure, sei que a nostalgia é velha companheira. Sei também que hoje, já curado de você – completamente curado – mal tenho vontade de responder tuas perguntas.
Como pode, flor de laranjeira, alguém ser promovido do inferno ao céu, e depois voltar para o limbo com tanta facilidade? Como?
Com você foi assim, e olha que avisei. Disse que se não te cuidasse, flor distraída, tropeçarias em pedras pequeninas, daquelas que quando nos acertam causam delicada dor, feito flores esquecidas sobre a banca na feira.
Inventado por: Henrique Neto às 00:40 | Link |
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