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Dos sonhos
Quando vejo propagandas de cartão falando em ‘sonhos’, penso em quão errado é meu conceito acerca dessa palavra. Sonhos para mim são, invariavelmente, fonte de angústia e desassossego. E nessa noite não poderia ter sido diferente.
Novamente você morreu, e novamente tinha choro, guirlanda de flores (dessa vez eram negras), desespero, ressentimentos, eu sendo encorajado a deixar, seus cabelos negros, seu semblante plácido; e era o inferno outra vez, e de novo, e de novo.
Eu confesso que tenho medo de dormir. Muito por isso adoro a noite, sair para badalar, ver gente, rir. O contrário desses sonos pesados, desses sonhos malditos. Malditos. Eu não quero mais sonhar porque é sempre essa merda, você morrendo, os gritos, o caixão caro e de mau tom - como são sempre todos os caixões do mundo -, seu semblante plácido e... chega.
Odeio sonhar. Odeio sua lembrança, essa sombra pesada que tenta a todo custo se projetar sobre mim e eu não quero. Faça-me um favor. Morra!
Mas só se for de uma vez por todas.
Inventado por: Henrique Neto às 19:09 | Link |
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