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Então é natal
Chegou o fim do ano e sua tradicional confusão. O comércio, a intolerância dos motoristas e a sangria desatada para comprar presentes, faz o momento parecer de guerra e não de paz (tão apregoada em cartões e reclames pelo comércio a fora).
Café pequeno para quem já deixou se convencer que a época é mesmo de renas e neve em pleno calor dos trópicos. 'Uma vez colônia, sempre colônia!'. Grita o colega da mesa ao lado. Pedimos mais uma rodada, falamos do 'setor de bagagens' que vira nossa casa com toda a sorte de parentes que nos visitam na noite de natal, 'e tudo parece tão mais surreal que de fato é'. Me diz uma solteirona niilista.
Na 'firrrma' a galera se hostiliza escondida em recadinhos do correio de nome doce, e os mais pragmáticos não querem nem pensar em ganhar presente mais barato que o ofertado. A 'menina do RH', ciente de seu dever de manter a paz em tempos de shopping aberto no after hours, estipula valor mínimo da lembrancinha. Ah, o ser humano. Esse bicho altruísta da peste!
Então, brindemos com a Cidra de nossos desalentos. Compremos lembrancinhas para quem não lembramos. Arrotemos o peru do pós-ceia. Abstraiamos a tia gorda e patusca que insiste em nos incomodar. E depois disso tudo, se sobrevivermos a noite de natal sem perdigotar farofa no primo ao lado, se conseguirmos não passar cantada na namorada gostosa do tio babão; se não contarmos àquela priminha o quanto gostaríamos de lhe ensinar umas bobagens, tudo terá valido a pena e até o tal 'espírito natalino', quem sabe, paire sobre nossas perturbadas cabeças.
Inventado por: Henrique Neto às 11:31 | Link |
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